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O painel de discussão responsável pelo comentário à palestra “Mudar o paradigma na proteção vascular” teve como um dos membros a Dr.ª Sílvia Monteiro. Em declarações ao CardioTalks, a cardiologista do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra faz um resumo das ideias chave transmitidas durante a sessão, partilhando igualmente alguns dos aspetos que tem em atenção na sua prática clínica. Assista ao depoimento em vídeo.
Tal como a Dr.ª Sílvia Monteiro começa por explicar, “a doença arterial aterosclerótica é uma doença crónica progressiva e imprevisível”, em que “muitas vezes não é possível saber bem quando é que as coisas vão correr mal”. “E, por isso, é fundamental identificarmos quais os doentes que vão beneficiar mais destas estratégias terapêuticas”, sublinha a especialista, acrescentando que a evidência tem mostrado que “o risco é determinado, sobretudo, pelas comorbilidades que o doente apresenta, ou seja, o risco inerente ao próprio doente”.
Em linha com as anteriores considerações, a Dr.ª Sílvia Monteiro refere que os doentes que mais beneficiam de “estratégias de terapêutica antitrombótica mais agressiva ou mais intensiva” são “aqueles que têm um alto risco isquémico determinado pela presença não só de doença arterial coronária, mas também doença arterial periférica, doença renal crónica, diabetes”.
Ainda assim, a cardiologista defende que “é fundamental o balanço ou o equilíbrio entre risco isquémico e risco hemorrágico”, sendo que, “infelizmente não temos bons scores para determinar o risco hemorrágico, até porque alguns dos que estão disponíveis os fatores de risco hemorrágico são simultaneamente também fatores de risco isquémico”.
“Contudo, na minha prática clínica há dois aspetos que tendo a atender sempre com alguma segurança: doentes que tiveram já um evento hemorrágico ou que apresentam valores de hemoglobina baixos – particularmente, valores abaixo de 10 mg/dL – são doentes que, à partida, não devemos arriscar estas estratégias terapêuticas. E doentes que já tiveram uma hemorragia intracraniana ou um AVC hemorrágico, naturalmente, são doentes em que estas terapêuticas estão proibidas”, partilha a Dr.ª Sílvia Monteiro, completando que nos estudos realizados “as hemorragias foram, sobretudo, urológicas e gastrointestinais”, algo que, atualmente, é de fácil resolução graças à evolução nas técnicas de tratamento.
Para a Dr.ª Sílvia Monteiro, o “estudo COMPASS veio mudar completamente o paradigma porque chamou a atenção para o elevado risco de uma população com doença coronária”, dita estável e que, “afinal, não é estável, é crónica”.
“Temos que olhar para estes doentes com um novo olhar. Um olhar mais agressivo, mais assertivo, porque, de facto, o COMPASS demonstrou que nesta população teoricamente de baixo risco já muito afastada do seu primeiro evento isquémico, demonstrou redução de mortalidade total, para além de redução de todos os eventos cardiovasculares. De facto, resultados muito marcantes que têm que alterar a nossa prática clínica diária”, concluiu.

